segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Minha chegada triunfal no Centro Espírita.




Jamais esquecerei a primeira vez que adentrei em um Centro Espírita. Não tinha conhecimento sobre a doutrina, mas ao entrar naquela casa simples um sentimento lindo tomou conta de mim. Caminhei o mais silenciosamente possível, porque algo me dizia que devia ser assim. Nas paredes simples, fotos de Allan Kardec, Chico Xavier, Emmanuel, Meimei e tantos outros abnegados trabalhadores do bem... Um cartaz chamou minha atenção: Estava escrito "Silêncio também é prece", o que veio corroborar minha certeza de que estava fazendo a coisa certa. Haviam poucas cadeiras vagas, escolhi uma, sentei-me, e comecei a observar o que acontecia. À minha frente vi pessoas concentradas ao redor de uma mesa, e constatei surpresa que conhecia algumas de vista. Existia uma paz muito grande, senti uma emoção forte e percebi que lágrimas rolavam em minhas faces. Chorando silenciosamente tentava enxugar os olhos com as mãos, visto que não havia levado lenço. Estava me desidratando em lágrimas e não conseguia parar quando ouvi uma voz em alto e bom som, que dizia mais ou menos assim: "Não tóia!" Ergui os olhos e deparei com um bebê lindo e sorridente, com cerca de dois anos, que do colo de sua mãe sentada à minha frente, apontava para mim um dedinho gorducho, e me pedia para não chorar! Naquele momento várias cabeças voltaram-se para mim...E eu querendo entrar para baixo de uma das cadeiras, sair correndo, desencarnar (naquele tempo eu dizia morrer, apesar de saber vagamente o significado da palavra desencarne srsrs) enfim ter o dom da invisibilidade, qualquer milagre que me tirasse daquele constrangimento! Mas o milagre não veio, ou melhor de certa forma veio, pois engoli o choro na hora. Um verdadeiro tratamento de choque! Nessas alturas eu só queria sair correndo, mas não tinha coragem de me expor mais... Mal sabia que passaria por outra prova... Após a leitura do Evangelho, esplanações e preces observei os médiuns dirigindo-se para outra sala, ficando apenas uma moça sentada à mesa lendo. Nessa mesa encontravam-se duas pequenas urnas. Pessoas escreviam algo em pequenos papéis e introduziam ali. Perguntei tímidamente a alguém do meu lado do que se tratava e fui informada que ali eram colocados nomes de pessoas queridas para recebimento de preces e vibrações. Empolgada escrevi o nome de todos meus familiares, marido, filhos, pai, mãe, irmãs, inclusive minha irmã Rosimar martins, membro de nosso abençoado grupo, e coloquei na mesma urna que uma senhora que estava á minha frente, havia utilizado. Afastei-me e percebi que na dita cuja urna estava escrita a palavra "Desencarnados". Meu Deus! Matei minha família inteira! (E pensar que quando eu era criança minha vó sempre falava que não devemos mexer com essas coisas do outro mundo!) Meu sangue congelou, devo ter ficado mais branca que a camiseta "branca" que estava usando e ousei aproximar-me da moça que estava à mesa para pedir socorro. A médium olhou-me sorrindo, acho que até meio espantada, sem saber ao certo se estava vendo alguém de carne e osso ou um assustado ectoplasma, e tranquilizou-me, abrindo a urna e auxiliando-me na retirada dos papéis. É...esse foi meu debut no CE. Na semana seguinte lá estava eu novamente! Graças a Deus!

Rosangela Martins

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